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Videojornalismo prolifera


Sai o “telejornalismo” e entra o “videojornalismo”. É o que diz o presidente da rede de notícias MSNBC, Charles Tillinghast. Ele argumenta que a idéia de que os jornalistas devem relatar uma história para um programa específico de TV é algo antigo, dada a proliferação de vídeos e notícias em diversas plataformas.


"Quando alguém da MSNBC sai a campo, esse trabalho não será utilizado apenas na TV ou, pior ainda, num programa em particular. Eles estão filmando para programas de TV, nosso site ou um dispositivo móvel”, avalia.


O foco está no vídeo e suas diversas plataformas nas quais as pessoas podem assisti-los. Creio que o videojornalismo não está apenas vivo, mas crescendo”, completa Tillinghast.


Com a queda de preços das câmeras digitais e o aparecimento de celulares com tecnologia 3G que filmam/editam em boa qualidade, não só está crescendo a quantidade de vídeos feitos, como também  há uma ampliação do número de realizadores.


A revista Época São Paulo, por exemplo, mantém o Urblog, que trabalha com o conceito de “jornalismo móvel”. A  jornalista vai às ruas sem pautas pré-definidas, transformando em notícia os fatos mais interessantes que encontrar. 


A mudança que aconteceu no mercado de música está acontecendo agora na área de vídeo. Você vê novos videomakers surgindo, produzindo porções de conteúdo sem muito custo e tendo também sua base de fãs. Pode ser um caminho para testar um show de televisão e cinema. É tão caro criar um piloto hoje em dia, mas é barato criar cinco episódios de três minutos de um novo show para internet e ver se as pessoas gostam. Hoje, apenas 10% dos pilotos acabam rendendo algo que vai ao ar.”[Chris DeWolfe, um dos fundadores do MySpace, em entrevista sobre redes sociais no caderno Informática da Folha de S. Paulo]


E o apelo desse tipo de conteúdo é grande. Segundo levantamento da comScore, divulgado em junho de 2008, 134 milhões de norte-americanos tem o hábito de ver vídeos online. Isso representa 71% das pessoas que acessam a grande rede nos EUA. Os norte-americanos assistiram, em média, 81 vídeos – cerca de 228 minutos de vídeo – em abril daquele ano. Ao todo, são 11 bilhões de vídeos online vistos por mês. 


Os espectadores mais assíduos são da faixa etária entre 18-34 anos. 82,1 milhões de pessoas assistiram vídeos no YouTube e 46 milhões de espectadores optaram pelo MySpace. Diariamente, o vídeo online ocupa, em média, 2,8 minutos dos norte-americanos.


Segundo os resultados da pesquisa realizada pela Ipsos MediaCT (divulgada em junho de 2008), o computador começa a ameaçar a posição hegemônica da TV, através de download ou streaming de vídeos. Para ler a extensa pesquisa, clique aqui.


As emissoras, em geral, se aferram à mesmíssima maneira de fazer TV, apenas querendo roubar uma da outra um apresentador que deu certo, a fórmula da novela que já foi boa, as celebridades ou subcelebridades que estão em voga… Trata-se de repetir, de copiar, de tomar emprestado -e não de procurar novos caminhos, descobrir o que anda acontecendo com a audiência, inventar nem que seja um pouquinho. O problema é que, nessa toada, as outras alternativas de informação e entretenimento vão ganhando terreno -e uma hora, vai ser tarde demais para a TV aberta”.

[Bia Abramo, no texto A disputa pelo segundo lugar]


A TV do Futuro

"Tecnologia digital está mudando profundamente a forma como todos fazemos jornalismo. A Current por certo não substituirá os canais de notícia. Mas dar algum tipo de poder ao telespectador não é, de forma alguma, uma má idéia. E provavelmente ficará indispensável um dia”. O jornalista Pedro Doria escreve sobre a Current TV, canal colaborativo criado por Al Gore.

A TV desenvolveu um sistema eficiente para produzir material de qualidade, evitando o conteúdo muitas vezes amador gerado pela audiência. Os espectadores recomendam as notícias que acham mais interessantes (mesmo de outros sites). As mais votadas viram reportagem. A equipe de produção busca imagens – fotografias, filmes – sobre o assunto. Também são procurados personagens para as matérias (as entrevistas são feitas por telefone). Uma hora após o assunto ter sido escolhido pelo público, uma reportagem sobre ele vai ao ar na Current.

Todavia, esse não é o único modelo de produção da TV. Há atrações com uma abordagem mais tradicional. Você pode conferir um pouco do trabalho da emissora na página que a Current mantém no Youtube.

Um dos programas de destaque é o Vanguard, em que jornalistas, munidos apenas de câmeras digitais, não apenas contam as histórias, como também fazem parte dela. InfoMania (tecnologia, tendências e gadgets) e VC2 (vídeos criados pela audiência) são outras atrações de destaque.

Já a Al Jazeera investe na colaboração. No começo de 2009, o canal de notícias árabe liberou seus vídeos sob a licença Creative Commons. Com isso, é possível baixar, editar e transmitir tais filmes, sem complicações de direito autoral.

Enquanto uns ainda tateiam as novas mídias, ou até mesmo gastam grande parte do tempo versando sobre violação de direito autoral, a Al Jazeera vai além e trata como parceiros os que querem trabalhar com seu conteúdo.

Ademais, experiências com vídeos surgem como produtos derivados de publicações online. Conhecidos sites de música viraram estações de TV online. No começo de abril de 2008, foi a vez da estréia do Pitchfork TV. Começaram com uma apresentação exclusiva do grupo Radiohead. Uma semana depois, ocorreu o início das atividades do Videogum, ligado ao blog Stereogum. Tem um projeto um pouco diferente: traz clipes, jogos e trailers de filmes e seriados.

Na prática, entretanto, muitos desses projetos são apenas simulacros das mídias tradicionais, pouco usando as características multimídia e participação da internet.
Ademais, usam os formatos mais simples de implementar, como
talk shows. Basicamente, é entrevistar alguém e filmar. 

No Brasil, uma iniciativa de destaque foi o lançamento, em janeiro de 2009, do  canal online da TV Cultura. O IPTVCultura não deseja ser apenas um simulacro da versão televisionada, mas sim um canal que também conta com conteúdo próprio.

A grade do canal será composta por coberturas ao vivo, bastidores de programas e conteúdo do acervo da emissora tradicional. O material ficará disponível online para ser assistido quando o visitante quiser. O lançamento oficial do canal ocorreu durante a Campus Party, evento focado em tecnologia realizado em São Paulo.

Mais do mesmo

A Fox disponibilizou, em maio de 2009, mais de 800 horas de programação no site mundofox.com.br/br. Os vídeos podem ser assistidos gratuitamente. Há, por exemplo, episódios completos das séries “24 Horas” e “Uma Família da Pesada”, além de material dos canais FX e Nat Geo.

Não se trata de uma transmissão simultânea com a TV. No site, os programas podem ser exibidos com até cinco meses de diferença em relação à TV. 


No Brasil, a Rede Globo disponibiliza, de graça, compactos do seriado “Malhação” no YouTube.
Também é possível assistir programas no portal da emissora, o Globo.com (com possibilidade de divulgar esses vídeos em outros sites, como blogs).


Em fevereiro de 2009, o Terra TV passou a transmitir episódios de séries famosas no mesmo dia que elas vão ao ar na TV por assinatura. Gratuitamente e quando o visitante quiser. O canal de vídeos do Terra já exibia programas internacionais, mas com grande defasagem em relação à exibição no seu país de origem.


A quinta temporada de “Grey’s Anatomy” inaugurou o novo modelo (logo após a exibição no canal pago Sony). A cada semana, um novo episódio será colocado no Terra TV.


São iniciativas similares à página norte-americana Hulu, que exibe gratuitamente programas de sucesso nos EUA. O portal é uma associação entre News Corp, NBC Universal e Walt Disney. Atualmente, é o segundo site de vídeos mais acessado nos EUA, perdendo apenas para o YouTube.




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