| | | |
Uploading ....
Os microblogs, também chamados nanoblogs, são uma versão reduzida dos blogs convencionais. Mais simples e objetivos (o Twitter só permite 140 caracteres por mensagem) eles também oferecem outra facilidade: além do acesso via computador, é possível atualizar via celular.
Apesar de existirem outras opções (como Pownce, que possuía muito mais recursos e o Jaiku, comprado pelo Google mas cujo projeto seria descontinuado logo em seguida), em pouco tempo o Twitter se tornou dominante (saiba como utilizar a ferramenta). Foi o serviço que primeiro construiu o conceito de comunidade nesse segmento. Você não precisa visitar vários sites para manter contato com pessoas. A maioria delas está num único serviço.
Segundo Jack Dorsey, um dos criadores do Twitter, “com um limite de tamanho, as pessoas são mais espontâneas e instantâneas. A idéia é minimizar os pensamentos”. Para ele, “o Twitter é mais uma rede de notícias, onde cada um atualiza em texto a sua vida. Quem quiser, segue. Não é preciso ser amigo. Uma pessoa pode te seguir e você pode não querer segui-la.”
Em 2009, o Twitter foi o grande vencedor do Webby Awards, premiação que escolhe os principais destaques da internet. Em anos anteriores, a mesma categoria (principal acontecimento do ano) já escolheu sites como YouTube, MySpace e Flickr.
A agência de comunicação online Bullet divulgou, em 2009, os resultados da pesquisa que fez sobre os usuários brasileiros do Twitter. Realizada entre 27 a 29 abril, mapeia os hábitos de quem utiliza o serviço de mensagens curtas no país. Veja os resultados numa apresentação disponível no SlideShare. Segundo o Ibope Nielsen Online, 3,7 milhões de brasileiros acessaram o Twitter em maio, o que representa 10% dos internautas do país.
Na imprensa
2009 também foi o ano que o Twitter entrou no radar da mídia tradicional.
"O mais recente exemplo da demanda total por conexão e de uma nova sintaxe social é o Twitter, o novo serviço de troca de mensagens pela internet. Criado em 2006, decolou no ano passado e já tem 6 milhões de usuários no mundo. O Twitter pode ser entendido como uma mistura de blog e celular. As mensagens são de 140 toques, como os torpedos dos celulares, mas circulam pela internet como os textos de blogs. Em vez de seguir para apenas uma pessoa, como no celular ou no MSN, a mensagem do Twitter vai para todos os “seguidores” – gente que acompanha o emissor. Podem ser 30, 300 ou 409 mil seguidores, como tem Barack Obama. Essa estrutura de troca de mensagens é nova, mas não é o principal”
Trecho da matéria de capa da revista Época sobre o assunto. Em um ano, o serviço cresceu 900%. Um dos responsáveis pelo texto, Ivan Martins, pode ser acompanhado pelo Twitter: twitter.com/ivanHM.
Segundo a matéria, "Vivemos a era da exposição e do compartilhamento. Público e privado começam a se confundir. A idéia de privacidade vai mudar ou desaparecer".
Para Evan Williams, um dos criadores do produto, o Twitter deve atingir o usuário comum em cinco anos. Já Jack Dorsey, outro idealizador do serviço, acredita que a presença cada vez maior de personalidades deve atrair a massa. “O Twitter nasceu para o celular. Foi por isso que só estreou em 2006, porque havia tecnologia para isso”, afirma Dorsey.
Nos EUA, a revista Time também publicou uma matéria sobre o assunto.
Também em 2009 o caderno Link, do jornal O Estado de São Paulo, falou sobre a ferramenta de microblog. No título, perguntava: “Por que todos estão falando sobre o Twitter?"
De toda forma, visibilidade não significa crescimento sustentável. Apesar de toda a badalação e do crescimento vertiginoso, 60% dos internautas desistem do Twitter após um mês. Como comparação, MySpace e Facebook retém 70% dos novos usuários.
O fator popularidade
"E para que serve, afinal, o Twitter? Continua sendo o mesmo fluxo de ideias, dicas de leituras, fragmentos de conversa – um mosaico digital continuado aproveitado por cada vez mais pessoas. Aparentemente, também é um concurso de popularidade que mexe com o coração de compatriotas dispostos a uma trapaçazinha para atrair mais gente.”[Pedro Doria, no texto O que fazer com 190 mil seguidores no Twitter? ] Devido à busca incessante por popularidade que vem acometendo muitos cadastrados no Twitter, o serviço limitou o número de pessoas que uma conta pode seguir por dia (1000). Tal medida dificulta a utilização de spammers.
"Estou começando a achar que o Twitter seria um lugar bem melhor se não contasse a quantidade de seguidores de ninguém”, comentou Peter Rojas, fundador do blog de tecnologia Engadget, sobre o Twitter.
Em 2009, depois de fazer campanha para ser o mais popular, Ashton Kutcher ultrapassou a CNN e superou a marca de 1 milhão de seguidores no Twitter.
Mas a preocupação com a popularidade é antiga. Em abril de 2008, Andrew Baron colocou em leião seu perfil no Twitter, via Ebay. Na época, possuía quase 1.400 seguidores.
Múltiplas funções
Apesar do espaço diminuto, o Twitter é usado de diversas formas. Com o crescimento da popularidade, o site de microblogging Twitter mudou o jeito como algumas pessoas conversam online. Saem os contatos -geralmente- entre duas pessoas do MSN e entra um bate-papo coletivo, em que um “post” serve para chamar a atenção dos seus “seguidores”. Pode ser um simples “vamos sair?”, ou até mesmo o pedido de informação sobre algo, divulgação de oportunidade de trabalho etc.
Segundo matéria do New York Times, enquanto algumas pessoas apenas citam passagens mundanas, destacando por vezes o seu cotidiano sem muita criatividade, outras investem na força do engajamento online.
De acordo com o especialista em tendências Paul Saffo, o Twitter reverteu a noção de grupo. “Ao invés de criar o grupo que deseja, você envia mensagens e um grupo se forma”, explica.
A Amazon.com sentiu a força dessa que é a terceira maior rede social online (atrás apenas do Facebook e do MySpace, de acordo com a Compete, uma empresa especializada em dados sobre internet). Ao mudar sua política de divulgação de alguns títulos (reclassificou títulos homossexuais, os excluindo da busca principal e da listagem dos mais vendidos), viu a atitude ser encarada como censura e, por isso, foi amplamente criticada em mensagens postadas no Twitter. Resultado: teve de voltar atrás pouco tempo depois.
Ademais, projetos inusitados também foram desenvolvidos no Twitter. Como o Twittories, cujo objetivo é fazer contos colaborativos. É possível a participação até 140 pessoas por conto. Outra opção foi o ReporTwitters. Uma espécie de redação online de informações escritas no Twitter por jornalistas.
Os contatos que realmente fazem diferença no Twitter
Uma das novidades mais alardeadas do Twitter é estipular o número de seguidores -quem acompanha suas atualizações- na rede de microblog. Todavia, afora o sentimento de popularidade propiciado, o número de amigos verdadeiros pode resultar em mais participação no serviço do que o grande número de contatos (quem nos segue e quem seguimos). Pelo menos é o que diz a pesquisa da HP Labs focada no Twitter intitulada Redes Sociais que Importam.
Segundo o estudo, os usuários do serviço possuem poucos amigos “reais”, aquelas pessoas com quem temos no mínimo certa proximidade, em comparação com o número de contatos total. Isto implica a existência de duas redes diferentes: uma muito densa composta de seguidores e seguidos, e uma rede reduzida de amigos reais.
Essa última reflete mais na utilização da rede de microblog: quem possui muitos amigos reais tende a postar atualizações com mais freqüência do que aqueles que possuem poucos amigos. Por outro lado, os usuários com muitos contatos (quem nos segue e quem seguimos) postam com menos freqüência do que aqueles que possuem poucos contatos.
Esses dados permitem várias conclusões. Justificam, por exemplo, porque tantas pessoas utilizam o serviço como uma espécie de comunicador instantâneo aberto, um MSN sem restrições, citando vários contatos numa conversa aberta a todos.
Como se deve usar o Twitter?
Um dos temas mais recorrentes no Twitter é monitorar quais seriam os assuntos “permitidos”. Não seria de bom tom falar excessivamente de esporte (Futebol ou F1), cotidiano, citar músicas postadas no Blip.fm, usar o Twitter como comunicador pessoal (um MSN coletivo e aberto) etc.
Acho normal esse debate, até porque se trata de uma nova forma de comunicação. Acredito que se deve ter cuidado com o que se escreve no Twitter, mas isso é uma opção pessoal. Da mesma forma que temos zelo em relação à nossa vida privada, não confiando em qualquer pessoa, soa imprudente revelar tantas informações numa ferramenta aberta.
De toda forma, a escolha é pessoal. Até porque Twitter é ferramenta, assim como blog. Usa-se da forma que quiser. Ademais, você escolhe quem segue. Posso achar desinteressante os aspectos mundanos de uma pessoa, mas para um ciclo restrito de contatos isso pode ser extremamente importante. Para quem opta por esse caminho, há sempre a opção de tornar privado o perfil.
Quem se deve seguir? Outra discussão que ganhou destaque recentemente foi sobre quem devemos seguir. Alguns acreditam que se deve seguir quem acompanha nossas atualizações. Por outro lado, há quem defenda que o critério deve ser pessoal, sem amarras obrigatórias.
Para mim, o critério é conteúdo. Quem oferece boas informações, links interessantes, um bom texto (uma espécie de twitter-crônica), vale a pena ser acompanhado. Isso porque ampliam meu alcance, sugerindo dicas (textos, vídeos etc.) às quais talvez não tivesse acesso. Em suma, são RSS humanos, agregadores de conteúdo.
Vida escancarada De toda forma, acredito que há um excesso de contato. Até porque soam como um monólogo travestido de conversa. Não apenas no Twitter, mas em várias redes sociais. Muitas pessoas acabam enviando mensagem sem critério, convidando para comunidades desinteressantes, divulgando eventos e aplicativos que muitas vezes só fazem sentido para ela, e não para quem recebe. Estaríamos virando spammers pessoais?
Em nosso ciclo de contatos, há pessoas de todo tipo, que conhecemos por diversos motivos: gostos similares (música, cinema etc.), pessoas que estudam ou trabalham conosco… Achar que tudo que fazemos é relevante para essa gama heterogênea de contatos é, no mínimo, um equívoco.
Não quero censurar o uso dessas ferramentas, ou mesmo dizer como é sua utilização correta. Mas já há casos de pessoas que foram prejudicadas por esse uso “desinibido” dos sites de relacionamento.
Optar por uma postura aberta é uma escolha pessoal. Todavia, reclamar de possíveis conseqüências negativas soa incoerente ou, no mínimo, revela pouco conhecimento sobre o assunto. Cada vez mais soa datado fazer distinção entre vida “on” e “off line”: se falamos coisas demais na vida “off line”, podemos ser inconvenientes, ser alvo de fofoca etc. A internet é uma nova tecnologia; o ser humano é o mesmo de sempre. A frase de André Dahmer, do site www.malvados.com.br, sintetiza bem a questão: “Internet é como mijar numa piscina: jogou lá dentro, não sai mais”.
Certa vez, Tutty Vasques escreveu que “há muita reclamação de invasão de privacidade, mas há muita evasão de privacidade.” Falava de celebridades, mas a frase se encaixa ao mundo virtual.
Numa coluna do 02 Neurônio, o coletivo brincava sobre o assunto. Trecho abaixo:
“AS REUNIÕES de pauta são um dos momentos mais importantes do jornalismo. É quando editores e repórteres se juntam para decidir o que vai sair em um jornal, revista ou site. Nessa hora, repórteres aparecem com pautas que, muitas vezes, são gongadas pelos editores, de maneira nem sempre gentil. O repórter, no início, fica meio humilhado, mas aprende. Nem tudo interessa. E por que estamos falando tudo isso? Porque hoje existe um verdadeiro jornalismo de si mesmo. As pessoas (a gente, inclusive) escrevem no Facebook e no Twitter o que estão fazendo naquele exato momento e usam o MSN para propagar autonotícias. Meio maluco. O pior: as pessoas, definitivamente, não sabem o que é notícia!”
|
|
|
| | | |
|