O jornalista norte-americano Mike Elgan escreveu recentemente sobre o papel dos jornais locais na atualidade. Antigamente, para consumir notícias locais, você deveria estar fisicamente nessa cidade. Com a internet, isso ficou para trás.
Para Elgan, muitos periódicos locais acabam divulgando as mesmas notícias, enquanto algumas histórias não são cobertas. Ou seja, visitando-se o Google News, muitos links trarão informações parecidas. Segundo ele, os jornais deveriam centrar sua atuação principalmente em material exclusivo ou com ângulos distintos, e não tentar falar sobre tudo. Com isso, ganha-se em relevância – o diferente obtém destaque maior.
Segundo ele, as empresas devem cobrir eventos locais para um público global. Estações de rádio e jornais devem agora considerar essa nova e mais ampla audiência.
"Meios de comunicação locais devem concentrar todos seus recursos na cobertura dos eventos da região. Pessoas não querem pagar um jornal local para obter cobertura de notícias nacionais igualmente disponíveis em milhares de textos facilmente acessados através de seus celulares e da internet", explica.
Caminhos múltiplos
"É hora dos chamados meios de comunicação locais abrirem os olhos à nova realidade: Nada é mais local. E isso é uma enorme oportunidade. O novo lema deveria ser: cobrir eventos locais exclusivos, mas para um público global", completa.
Acredito que o jornal impresso não deveria deixar de falar sobre assuntos nacionais ou já amplamente discutidos em outros meios. Foi exibido antes na TV? Outro jornal publicou? Nem todos assistem telejornalismo, tampouco lêem vários jornais ou estão disponíveis para ficar lendo todas as notícias que são divulgadas na internet. Existe ainda quem procura informações num único veículo e espera encontrar um resumo dos fatos mais importantes nessa publicação.
Há espaço para o que já foi divulgado em outros meios, mas com novos desdobramentos: podem ser novos ângulos, opiniões que ajudem a contextualizar o assunto etc. Ou, no mínimo, ser registrado como uma nota. Dessa forma, não fica chato para quem já sabe do fato e também contempla a pessoa que está entrando em contato com o assunto pela primeira vez. Há quem consuma notícia nos moldes tradicionais, querendo saber o que houve de importante num determinado recorte de tempo, seja num dia ou numa semana.
O futuro da informação aponta para caminhos múltiplos, já que há diversos tipos de público e maneiras distintas de se manter informado.
Novas propostas
Nesse cenário, surgem os sites de notícias hiperlocais. EveryBlock (que tem uma parceria com o New York Times), Outside.in, Placeblogger e Patch são alguns exemplos. Funcionam como agregadores de conteúdo: informações publicadas em blogs locais e outras páginas de notícia são complementados com informações do governo, boletins criminais e conteúdo enviado pelo público.
Dessa forma, o leitor pode acompanhar as notícias mais relevantes para o seu bairro, seu quarteirão. Informações como lista de eventos, campanhas voluntárias, problemas no trânsito, oportunidades de emprego e negócios são publicadas levando-se em conta sua localização geográfica.
Muitas dessas iniciativas não produzem conteúdo original. Mas buscam criar produtos diferenciados. Como a Outside.in, que possui um aplicativo do iPhone que permite identificar informações num raio de 300 metros onde o leitor estiver.
Já o site Patch utiliza jornalistas profissionais. Munidos de notebooks com conexão à internet sem fio, esses repórteres coletam informações na comunidade. Participam, por exemplo, de reuniões em escolas.