Os movimentos sociais passaram por grande transformação devido aos novos meios de comunicação. A mobilização em Seattle, em 1999, quando manifestantes inviabilizaram a Conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), foi o marco inicial.
De lá para cá, militantes de diversas causas, de proteção ao meio ambiente a protestos por maior abertura política, utilizam a tecnologia para propagar suas idéias: e-mails, mensagens de celular, mensagens via celular, fóruns, redes socias online etc.
Em junho de 2009, ganharam destaque as manifestações no Irã. Depois da reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, pessoas ocuparam as ruas de Teerã para protestar. Afirmavam que houve fraude no processo eleitoral.
O Irã transformou-se no paraíso do “jornalismo cidadão”, com vantagens e riscos. Sem ele, possivelmente não se saberia nada do que ocorre ali. Mas é muito difícil distinguir quais as informações provenientes de indivíduos isolados e desconhecidos que têm credibilidade”
[Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo.]
Em muitos casos, torna-se difícil tentar checar a veracidade dos fatos, ainda mais num país fechado. Ademais, a manipulação de informações ocorre nas mais diversas tendências políticas.
Para o blogueiro iraniano Roozbeh Mirebrahimi, que foi condenado pela justiça do país a dois anos de cadeia mas fugiu antes para Nova York, blogosfera é a imprensa livre que o Irã não tem. Entretanto, faz a ressalva:
“Não se faz revolução só pela internet. É bom ter passeata, ter manifestação, com cartazes. O povo precisa estar na rua, fico pessimista ao ver que as pessoas estão apavoradas em casa, com medo de apanhar, da prisão ou de morrer. É bom conquistar blogs, mas precisamos estar na CNN, no “New York Times”, na imprensa tradicional. Achar que dá para mudar o regime só no Twitter [portal de mensagens breves] é ingênuo.
Se há muitas formas para divulgar ações, também existem -em diversos países- inúmeros recursos para controlá-las. Em 2009, a China bloqueou o acesso a vários sites, como Twitter e webmails. Além disso, os mesmos recursos que são utilizados para divulgar a opinião dos dissidentes (mensagem via celular, YouTube etc.), também podem ser usados pelo governo opressor.
Por isso, de 4 a 6 de dezembro de 2008 ocorreu, em Nova York, a conferência da Aliança dos Movimentos da Juventude (Alliance of Youth Movements). Em destaque, diversos temas correlatos ao assunto: como construir movimentos sociais transnacionais utilizando novas tecnologias, como usar novas tecnologias móveis etc. A conferência, que foi transmitida ao vivo no Howcast, reuniu profissionais de destaque da TV, política, organização comunitária e do meio acadêmico.
Alguns vídeos do evento podem ser vistos neste link, tais como o poder da organização sem organizações; como criar um movimento popular utilizando sites de relacionamento; como ser um dissidente eficaz e até como deixar Al Gore orgulhoso.