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Blogs


Blogs são ferramentas simples para disponibilizar conteúdo, de forma contínua, na internet. Com apenas alguns cliques, é possível criar seu espaço online e adicionar textos, imagens, vídeos etc. 


Diferente da idéia que muitos têm da ferramenta, blog não é apenas um diário pessoal. Pode até ser, mas seu uso é bem mais amplo. Até porque blog não é um estilo de escrita, apenas um canal para expor suas idéias. Atualmente, existem blogs sobre os mais diversos assuntos. 


Geralmente, quem mantém blogs também disponibiliza informação em outras frentes: mensagens curtas no Twitter, fotos no Fotolog ou Flickr, vídeos no YouTube... Por isso, o termo blogueiro soa limitador. Algo mais apropriado seria produtor de conteúdo. Já jornalista é um termo guarda-chuva mais eficiente. Apesar de profissionais da área se dedicarem a um segmento específico (radiojornalista, por exemplo), não deixa de ser caracterizado apenas como jornalista. 


O serviço mais popular é o Blogger, do Google. Criado em 1999, foi a primeira ferramenta a facilitar a criação de blogs. Entretanto, o melhor avaliado é o Wordpress. Além de utilizar o serviço online deles, é possível optar por um servidor próprio, já que ele roda o aplicativo no serviço de hospedagem que escolher.


Por ser um software de código aberto (open source), pode ser usado gratuitamente, além de permitir que seja adaptado, alterado para se adaptar a suas necessidades. Grandes empresas usam o WordPress como plataforma. No Brasil, por exemplo, ele é adotado pelo IG e pelo Terra como seu sistema de manutenção de blogs.


Projetos descontinuados


Apesar de ser um dos símbolos da mídia social, a maioria dos blogs têm início com boa atualização e depois são esquecidos (as informações são do New York Times). O artigo cita uma estatística do Technorati, que revela que apenas cerca de sete milhões dos 133 milhões de blogs indexados pelo sistema são atualizados regularmente. Ademais, apenas cerca de 100.000 blogs geram considerável número de visitas.


Acredito que as duas coisas se completam. Muitos deixam de atualizar, após algum tempo, quando percebem que não tem audiência significativa. Ademais, falta a muitos desses projetos um foco, um tema central com o qual os leitores possam se identificar. Enfim, uma linha editorial. Sem a definição de um assunto preponderante, em que nicho irá atuar, fica difícil manter leitores fiéis. 


Muitas vezes, se escreve apenas sobre a vida pessoal (algo que ocorre também no Twitter). Se a pessoa não for uma boa cronista, vai atrair apenas seus conhecidos. Entram ainda: falta de hábito de escrever, conteúdo não atraente, desconhecer técnicas de SEO etc.


Ademais, muitos projetos concentram-se em textos (extensos). Blogs também permitem adição de conteúdo multimídia, como vídeos e áudio. Boa parte dos blogs mais bem sucedidos funcionam como filtros da internet. Indicam onde encontrar material de boa qualidade sobre assuntos específicos. São, em suma, curadores de conteúdo. 


Uma questão de estilo


Num artigo de 1999, o escritor Kurt Vonnegut defendia a idéia de que jornalistas e escritores técnicos treinam para não revelar muito sobre si em seus escritos. Segundo ele, no mundo literário, isso se tornaria uma aberração.


Afora a polêmica afirmação, a criação de um estilo próprio se releva ainda mais relevante online, já que há tantas formas de expressar suas idéias (blogs, Twitter etc.). Ademais, não há orientações editoriais a serem seguidas, você é o próprio editor (escolhe sobre o que escrever e qual o prazo, ou mesmo se haverá deadline), a internet permite a troca de idéias com seus leitores e o meio permite grande espaço para a experimentação. Ou seja, é você que decide colocar estilo e personalidade naquilo que escreve.


Para quem investe em ficção, a internet permite muitos caminhos. Segundo o diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Tecnologia e Educação (em inglês, NITLE) Bryan Alexander as mídias sociais propiciaram o surgimento de novas formas de contar estórias. O padrão de outrora está mudando. As estórias agora estão em aberto, ramificadas, com links, dialogando com outros meios de comunicação (cross media), são participativas, exploratórias e imprevisíveis. O ritmo de criação está mais acelerado, bem como a participação dos leitores, revelando novas narrativas e rumos para fluir.


Como escrever com estilo, por Kurt Vonnegut

1. Encontre um assunto do qual goste

2. Não divague, seja direto

3. Mantenha-se simples, use frases curtas

4. Tenha coragem de editar, cortar o excesso

5. Soe como você mesmo, reflita suas origens

6. Escreva sem rodeios, sem floreios desnecessários, para ser entendido

7. Auxilie os leitores, clareie suas idéias, contextualize as informações


Quanto vale sua opinião?


E para que serve um blog? Há quem acredite que blog não é um fim, mas sim um meio. A partir dele, consigo manter contatos, obter propostas de emprego ou consultoria, visibilidade para minha atividade (DJ, escritor) etc. Por outro lado, outros pensam a ferramenta como um hobby, uma forma de falar sobre um assunto que aprecia.


De toda forma, há quem seja bem-sucedido (comercialmente) na blogosfera, chegando a viver apenas disso. São os chamados probloggers


Como eles ganham dinheiro? Parceria de conteúdo com portais, publicidade online (links patrocinados, hospedagem de banners etc.) e recebendo para escrever posts pagos. 


É um assunto bastante polêmico. O debate é polarizado e ambos os lados defendem suas opiniões com afinco. Em 2008, a revista Exame publicou um texto sobre o assunto: Quanto vale a opinião deles.


No final de 2008, mais uma polêmica sobre o tema. Chis Brogan, especialista em mídias sociais, recebeu para escrever sobre a cadeia de lojas Kmart. Entre os motivos que listou para justificar sua postura, Brogan prega o diálogo transparente com seus leitores sobre publicidade em seu blog. Além de deixar claro tratar-se de um post pago, o patrocínio que recebe deve ser relevante para seu público-alvo. Ele defende também que quem paga para anunciar não comprou suas palavras, mas sim está alugando sua atenção.


"Marketing e publicidade são parte da mídia social. [...] Isso não significa que tudo na web é orientado para a publicidade. Na verdade, essa é a beleza da coisa. Este é o primeiro meio na história moderna que não foi construído visando o comércio, mas sim a comunicação. E as pessoas podem sobreviver muito bem sem lidar com o ato de ganhar dinheiro. Perfeitamente bem, é algo aceitável e parte da internet”, avalia.


Ainda prefiro o conceito dos demais meios de comunicação, em que há diferenciação entre conteúdo editorial e publicidade. Nesse caso, o Weblogs, inc, que publica inúmeros blogs, vai além, sendo contrário à idéia dos blogueiros ficarem com presentes. Também não acho que, ao escrever um texto pago e deixando bem claro aos leitores isso, um blogueiro perde instantaneamente sua credibilidade.


De toda forma, por ser uma publicação pessoal, no final das contas, vai caber a cada um saber o que será melhor para sua reputação.





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