Enquanto a indústria da informação ainda tateia o novo meio, outros produtores de conteúdo continuam surgindo. Hoje, a mesma pessoa que serve como fonte para uma matéria pode também ser a propagadora de informação. Pode divulgar informações diretamente, via blog, Twitter etc. Em muitos casos, “furando” os meios de comunicação já estabelecidos. É um desafio similar ao da música: o consumidor de notícia também “compete” com as fontes tradicionais de informação.
A Petrobras, por exemplo, em junho em de 2009, criou o blog Fatos e Dados (petrobrasfatosedados.wordpress.com/) no qual revela os bastidores de notícias ainda não publicadas, o que criou bastante polêmica entre os jornalistas.
Celebridades ressaltam a possibilidade de falar diretamente sobre diversos assuntos, sem passar pelo filtro de outras pessoas. Dão sua versão dos fatos e escolhem sobre que temas abordar e quando se pronunciar.
Todavia, isso não inviabiliza o trabalho do jornalista. Na verdade, aí começa o processo de apuração, de confirmar a veracidade dos dados. Em muitos casos, as pessoas falarão sobre o que convém, e não a respeito de temas espinhosos. “Há três versões para um fato: a minha, a sua e a verdadeira” (ditado chinês).
Ademais, com a abundância de informações online, será necessário não apenas criar conteúdo, como também triar o que há de mais relevante.
É muito mais complicado navegar neste novo mundo do que é sentar para ler o jornal de manhã. Há muito mais opções para escolher e, é claro, há mais barulho agora. [...] Estou confiante que eu recebo muito mais informações úteis desse novo ecossistema do que eu recebia da mídia tradicional quinze anos atrás, mas eu me orgulho em ser navegador de informação experiente. Podemos esperar que o público em geral tenha a mesma habilidade e tato para navegar neste novo ecossistema?”
[Steven Johnson, no texto Imprensa “mata-cerrada” e o futuro das notícias]
De toda forma, nem todos os assuntos precisam ser destacados com sofreguidão. No jornalismo, o único critério para a divulgação não pode ser a novidade, mas também a relevância. Certos temas precisam de um tempo maior de maturação para a coleta de dados e análise. Ou seja, a qualidade das informações é tão importante quanto a urgência de sua divulgação. Até porque o poder multiplicador da internet é muito maior do que a correção de informações.
Além disso, o trabalho do jornalista não é apenas versar sobre os temas que tem mais apelo, ser uma caixa de ressonância que oferece mais do mesmo. Cobrir assuntos de importância para a população também é uma atividade de grande valia. Temas áridos, como política, bem como a pluralidade de versões, não podem ser alijados do noticiário.